Líder com 67 pontos, melhor campanha do returno com 36 pontos ganhos, ataque com 57 gols marcados e uma performance satisfatória como visitante com 31 pontos conquistados. Os números demonstram de maneira cabal de que o acesso da Ponte Preta foi merecido e deve ser celebrado. Um resultado calcado no planejamento, no talento dos jogadores e na força das arquibancadas, que no último sábado proporcionou ao estádio Nabi Abi Chedid em Bragança Paulista um público de 7695, o melhor do campeonato na localidade. No entanto, a história poderia ser diferente se dependesse de algumas pessoas que infelizmente não entenderam a necessidade de mudança nos parâmetros do futebol brasileiro.
Sim, porque se a fórmula de disputa, ao invés do justo e bem jogado pontos corridos fosse o mata-mata a Ponte Preta, atual líder da Série B com 67 pontos, não estaria em ritmo de comemoração e sim pesquisando o desempenho do oitavo colocado, atualmente o Ceará com 51 pontos e dono de uma campanha em franca decadência. Mesmo assim, no mundo ideal sonhado por muitos, a Macaca, líder absoluta da Série B, seria submetida ao calvário de três ou cinco jogos contra o Ceará para submeter a eficiência construída em 38 rodadas. Poderia conseguir a classificação? Sim! Mas o risco da eliminação seria estrondoso e o gosto de fracasso ficaria estampado caso o Ceará aplicasse uma surpresa indigesta.
O torcedor pontepretano poderia refletir ainda que em 2011 a sua comemoração do acesso, com o terceiro lugar com 63 pontos ficaria ameaçada caso encarasse na roleta do mata-mata o sexto colocado, no caso o Bragantino com 58 pontos. O que dizer então do Brasileirão de 2012, quando a Ponte Preta superou a tudo e a todos e somou 48 pontos e terminou na 14ª posição enquanto que viu o rebaixamento do Palmeiras, sem dó e nem piedade. Ou seja, é possível sobreviver entre os gigantes.
Caiu em 2013? É verdade. Mas foi muito mais pela conjuntura, que lhe obrigou a optar pelo sonho da Sul-Americana e deixar o Brasileirão de lado do que por falta de talento da equipe. Se estivesse concentrado na competição nacional, a salvação era plenamente possível.
Essa pequena trajetória mostra que a Ponte Preta cresce de modo constante sedimentado nos últimos anos. Arrecada boa quantia de dinheiro e monta times competitivos que na maior parte das vezes gera orgulho das arquibancadas. O mata-mata é a chance de médios e pequenos surpreenderem e cravar seu nome na história. Mas os pontos corridos, mesmo com suas distorções de distribuição de recursos ainda é uma estrada para o crescimento. Acredite: após o acesso de sábado, o pontepretano deve
ria amar e idolatrar a fórmula de pontos corridos.



